O amor, na vida e na morte.

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São 23 minutos e 34 segundos de autenticidade. Ricky Gervais, mais conhecido pela série, “The Office” e os seus stand-ups satíricos, consegue na série “Derek” fazer surtir o efeito oposto ao da farsa: a comoção.

O episódio 7 e último da temporada 1 de Derek fala sobre a perda, o perdão, o sentido da vida, o amor e, acima de tudo, a bondade: fazer o bem, sermos bons, tratar os outros bem, com respeito, com liberdade.

Quando nascemos dão-nos estalos para chorarmos. É assim que se sabe que estamos vivos. Não será a vida uma série de estalos e choros uns a seguir aos outros, para podermos viver?

Há um casal de velhinhos na série, cuja esposa morre de Alzheimer. O marido, não obstante, todos os dias a visita apesar da sua saúde piorar a cada um que passa. Ele apresenta-se a ela e partem novamente para a aventura de se conhecerem. E sobre isso ele diz, “I’m lucky. Who else gets to fall in love 365 days of the year?”. Traduzindo, “Sou um sortudo, quem é que tem o privilégio de apaixonar-se 365 dias por ano?”

Esse é o verdadeiro amor por si próprio e pelo outro, porque ele não se vê como uma vítima, cuja mulher já nem o reconhece. Ele abraça a relação na sua circunstância e aproveita os limões que tem para fazer a única limonada possível, ele re-inventa a relação com as peças que a vida lhe dá, mesmo quando já não sobram muitas ou muito tempo para construir um novo puzzle. Ele espera, sem se desesperar, e vive de forma agradecida desapegado duma idealização que o destruiria e ao seu amor. E diz ainda, “As pessoas olham-nos na rua e vêem um par de velhos trémulos, presos num emaranhado de tempos idos, à espera de morrer… Mas eu vejo uma jovem linda de Dublin que deseja passar o resto da vida comigo. “I win” – Ganho eu. “Não sinta pena de mim, nem da Lizzie, tivemos a melhor vida que alguma vez poderíamos sonhar, porque a partilhamos um com o outro.”

Com amor,

Elisa.

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