Tens o Síndrome do Impostor?

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Já te sentiste como uma fraude?

Que não estás a desempenhar bem, ou como é suposto?
Que ainda não atingiste o nível de qualidade “requerido” (e que tu própria definiste como o “aceitável”)?
Fazes mais um curso, mais uma formação, mais um workshop…
Mas a seguir continuas a sentir o mesmo e voltas a fazer mais uma formação, mais um workshop…
É o síndrome do impostor, conhecido por ser um dos síndromes que mais atinge os “perfecionistas”!

Soa-te familiar?

Senti-me assim quando estava a iniciar a minha prática de coaching:
Como poderei eu ajudar alguém que tem muito mais anos de vida do que eu? Como poderei eu ajudar alguém no seu casamento se eu não sou casada? Como poderei eu ajudar alguém a atravessar um período doloroso que eu nunca vivi?
Que mais formações posso fazer para me tornar “apta”?
Demasiadas dúvidas confundem-nos e paralisam-nos. Entramos na chamada “paralisia analítica”. Analisas, estudas, planeias mas nunca passas para a ação.
Ao rever o filme “Comer, Orar, Amar” (li o livro em inglês e recomendo! se souberes inglês, melhor, senão lê em português – a Elizabeth Gilbert é uma escritora formidável, com ingredientes que admiro imenso: sensibilidade, profundidade, inteligência e humor), e logo no início, o filme relata que uma amiga sua psicóloga foi incumbida de dar apoio psicológico a refugiados do Camboja que tinham passado pelas maiores atrocidades: genocídio, entes queridos assassinados diante dos seus olhos, etc. Ela estava assustada com a missão: como poderia ela ajudá-los? Como poderia ela relacionar-se com o seu sofrimento?
No final descobriu que, afinal, o tema sobre o qual todos os refugiados queriam falar era… Relacionamentos! Quem é que estava com quem, porque é que aquele não ligava àquela mas depois dizia que a amava e ela não sabia o que fazer, etc.
Em suma, os problemas destes refugiados, as suas questões, eram as questões que mais afligem os seres humanos independentemente das nossas circunstâncias: amar e ser amado.

Nós somos feitos disto! É o que nos define.

O que seria a nossa vida sem relacionamentos, sem pessoas? Um retiro monástico!
E claro, o 1º relacionamento de todos é o relacionamento com nós mesmos. Afinal, se há alguém a quem estamos ligados “até que a morte nos separe” somos nós próprios!
O síndrome de impostor sabotava-me neste meu caminho do Coaching. Dizia-me que eu não podia trabalhar com Relacionamentos até ter “o” relacionamento PERFEITO, ou estar “bem casada” há (pelo menos!) 20 anos.
Ou seja, só aos 60 é que estaria… “apta”.

Nada disso é verdade.

A verdade é que eu passei a minha vida a relacionar-me.
Com as pessoas mais distintas que se possa imaginar. Dei o meu primeiro beijo aos 12, comecei a namorar aos 13, perdi a virgindade aos 14, apaixonei-me perdidamente (ainda mais que as outras vezes ou com outra intensidade) aos 22, quase me casei com um Baiano aos 28 por questões de visto, aos 30 casei-me com um português e meu melhor amigo, divorciei-me aos 36, no mesmo ano adoptei uma filha de 4 patas, tive mais namorados estrangeiros do que portugueses, experimentei uma semana de Tinder, tive uma relação sexual platónica de meses sem nunca sequer ter estado presencialmente com a pessoa, tive muitas aventuras e muitos e profundos desgostos de amor, o primeiro aos 13, depois aos 14, o seguinte aos 23, depois aos 26 e o mais recente aos 39 ao separar-me de quem pensava que iria casar-me pela 2ª vez e quem já tinha sido meu namorado (e o 1º!). Tudo isto por acreditar sempre no mais alto potencial da pessoa, não só acreditar, vê-lo claramente à minha frente (mas não à pessoa em si, no estágio em que está).
E pelo meio muitas “relações” de curta existência, mas sem por isso deixarem de ser importantes no meu percurso.
Este excerto da Elizabeth podia ter sido escrito por mim:
“I have a history of making decisions very quickly about men. I have always fallen in love fast and without measuring risks. I have a tendency not only to see the best in everyone, but to assume that everyone is emotionally capable of reaching his highest potential. I have fallen in love more times than I care to count with the highest potential of a man, rather than with the man himself, and I have hung on to the relationship for a long time (sometimes far too long) waiting for the man to ascend to his own greatness. Many times in romance I have been a victim of my own optimism.”
― Elizabeth Gilbert, Eat, Pray, Love
Em suma, se há alguém com experiência em relações, seus tipos, estilos, dinâmicas, motivações, qualidades e defeitos, vantagens e desvantagens… sou eu! Este é o meu “doutoramento”. E foi preciso tudo isso ou “todos esses” para chegar a mim e ao casamento comigo mesma e olhar-me nos olhos e dizer: “até que a morte nos separe”, “for better or for worse”, e aprender a ser auto-compassiva nos meus piores momentos e humilde quando esses momentos magoaram alguém.
E é por isso que passei estas últimas 4 semanas de “molho” no mar das emoções que aparecem quando somos assaltadas pelo síndrome do impostor. E não há como fugir… Temos de sentir as emoções para que o sentimento passe, e depois ver o que fica. “O que fica” é extremamente importante, pois é o âmago, a essência de tudo. É aí que podemos ter ou não algo a fazer, processar, curar, resolver, para… avançar.

Com carinho,

Elisa.

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